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Gestão de escala

Modelo de escala 5x2 para motoristas: exemplos práticos

Quem procura um "modelo pronto" de escala 5x2 precisa de duas coisas: o desenho da semana e as regras que o desenho precisa respeitar — um modelo bonito que estoura a interjornada é só passivo com boa aparência. Este post traz os dois: três modelos prontos para adaptar, com a aritmética conferida, e os limites da CLT que nenhum deles pode ignorar. Se o seu caso é migrar uma grade 6x1 existente, comece pelo passo a passo de adaptação do 6x1 para o 5x2.

Situação do projeto · atualizado em 19/10/2026
PEC do fim da 6x1: aprovada na Câmara (mai/2026) e aprovada no Senado em dois turnos (14/10/2026, 75 votos a 1).
Falta a promulgação pelo Congresso — o prazo de 60 dias para adaptação conta a partir dela.
As regras ainda NÃO estão em vigor.

O esqueleto do 5x2

O 5x2 previsto no PL 1.838/2026 é simples na superfície: 5 dias de trabalho, 2 folgas, semana de 40 horas — na prática, 8 horas por dia. A decisão-chave não está nas horas: está nas folgas. Folga fixa (sábado + domingo, sempre) é o 5x2 do escritório — raro no transporte, porque ônibus roda sete dias. Folga rotativa é o padrão do urbano: as duas folgas giram semana a semana, cobrindo a operação todo dia e garantindo domingos periódicos conforme a CCT. Os modelos abaixo cobrem os dois casos.

Modelo 1 — jornada contínua

O desenho mais simples: turno único, folga fixa no fim de semana.

Modelo 1 · semana de jornada contínua
Seg–Sex  08:00–17:00  (8h de trabalho + 1h de almoço)
Sáb + Dom  folga fixa
conta da semana  5 × 8h = 40h

Serve para administrativo, manutenção e fretamento de turno único. O que ele não faz: cobrir os picos da operação. O passageiro embarca às 6h e às 18h — um turno das 8h às 17h chega depois do primeiro pico e vai embora antes do segundo. Para a linha, o modelo realista é o próximo.

Modelo 2 — dupla pegada urbana (o realista)

A dupla pegada continuaria permitida no 5x2: o que mudaria é a semana, não o desenho do dia. O modelo abaixo casa os dois picos com duas pegas de 4 horas:

Modelo 2 · dia de dupla pegada + rodízio de folgas em 3 semanas
pega 1  05:30–09:30  (4h, pico da manhã)
intervalo  09:30–15:30  (6h não remuneradas, conforme acordo)
pega 2  15:30–19:30  (4h, pico da tarde)
dia  4h + 4h = 8h  ·  semana  5 × 8h = 40h

rodízio de folgas (ciclo de 3 semanas)
semana 1  folga dom + seg  → trabalha ter–sáb
semana 2  folga sex + sáb  → trabalha dom–qui
semana 3  folga qua + qui  → trabalha sex, sáb, dom, seg, ter

Confira a aritmética: cada pega tem 4 horas — abaixo do teto de 5h —, o dia fecha em 8h e a semana em 40h, sempre com 5 dias trabalhados. O rodízio garante um domingo de folga a cada três semanas — mas exige conferir a interjornada em cada virada de folga.

Modelo 3 — rodízio de cobertura de fim de semana

Como 3 motoristas cobrem 7 dias trabalhando 5 cada um? Com folgas defasadas — e uma conta antes do desenho: 3 × 5 = 15 motorista-dias por semana; uma linha com 2 motoristas por dia consome 2 × 7 = 14. Sobra exatamente 1 — por isso um dia do trio tem cobertura tripla (aqui, a segunda, o pico). A sobra é estrutural; o bom desenho a coloca onde ajuda.

Modelo 3 · trio cobrindo 7 dias (F = folga)
           seg  ter  qua  qui  sex  sáb  dom
motorista A   ●    ●    ●    ●    ●    F    F
motorista B   ●    F    F    ●    ●    ●    ●
motorista C   ●    ●    ●    F    F    ●    ●
cobertura     3    2    2    2    2    2    2

cada linha  exatamente 5 dias de trabalho + 2 folgas
cada dia  no mínimo 2 motoristas (seg com reforço de 3)

Os papéis giram: na semana seguinte, A assume o padrão de B, B o de C e C o de A — em três semanas, todo mundo folgou um fim de semana. O princípio escala para 200 motoristas: muda o tamanho das turmas, não a defasagem.

O que todo modelo 5x2 precisa respeitar

O PL em tramitação mexeria na duração da semana — não nas regras de jornada. Qualquer modelo acima só fica de pé se respeitar o que o art. 235-C da CLT já exige hoje: pega de no máximo 5 horas, intervalo mínimo entre as pegas, interjornada de 11 horas contínuas — que quebra justamente nas viradas de folga, quando o larga da véspera foi tarde e o pega do retorno é cedo; confira cada virada na tabela prática da interjornada — e o DSR. E um aviso que vale mais que qualquer planilha: um modelo copiado da internet não conhece a sua tabela de viagens — nem o primeiro carro, nem os deslocamentos, nem o pico. Modelo é esqueleto, não escala; é ao vesti-lo com as viagens reais que nascem as violações.

Do modelo à escala real

A distância entre um modelo de 3 motoristas e uma grade real de 200+ escalas — cobrindo todas as viagens, fechando as 40h de cada motorista, sem violar pega, intervalo, interjornada nem DSR em nenhuma virada — não se percorre na planilha. É um problema de otimização com milhares de combinações, e é exatamente o que o Raio-X da Escala resolve: o diagnóstico mede a grade atual contra todas as regras e devolve o custo em reais; o otimizador monta a grade que cobre a mesma tabela sem violar nada. O diagnóstico é gratuito — leve o modelo daqui, mas valide a grade de verdade antes de publicar.

Perguntas frequentes

O 5x2 já é obrigatório?

Não. A PEC do fim da 6x1 passou na Câmara e o PL 1.838/2026 ainda tramita no Senado — as regras só valeriam após a aprovação final e a promulgação. Por ora, adotar o 5x2 é decisão da empresa ou da negociação coletiva. O contexto completo está em o fim da escala 6x1 no transporte coletivo.

Posso usar folga fixa no transporte urbano?

Pode, mas quase nunca fecha a conta: o ônibus roda sete dias, e se todo mundo folga sábado e domingo não sobra ninguém para o fim de semana. Folga fixa serve para administrativo e manutenção (Modelo 1); na operação, o padrão é a rotativa (Modelos 2 e 3), com domingos periódicos conforme a CCT.

O modelo 5x2 muda a dupla pegada?

Não, pelo texto em tramitação. O PL muda a duração da semana, não o art. 235-C: pega de até 5h, intervalo entre pegas, dupla pegada e interjornada de 11h continuariam exatamente como hoje — e a dupla pegada segue sendo o desenho natural do urbano, como no Modelo 2.

Quantos motoristas a mais o 5x2 exige?

A ordem de grandeza é a queda de 44h para 40h: cerca de 9% das horas-motorista — numa operação ilustrativa de 150 motoristas, cerca de 15 a mais. A conta exata e a ordem certa da transição estão no passo a passo de adaptação do 6x1 para o 5x2.