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Gestão de escala
Modelo de escala 5x2 para motoristas: exemplos práticos
Quem procura um "modelo pronto" de escala 5x2 precisa de duas coisas: o desenho da semana e as regras que o desenho precisa respeitar — um modelo bonito que estoura a interjornada é só passivo com boa aparência. Este post traz os dois: três modelos prontos para adaptar, com a aritmética conferida, e os limites da CLT que nenhum deles pode ignorar. Se o seu caso é migrar uma grade 6x1 existente, comece pelo passo a passo de adaptação do 6x1 para o 5x2.
Falta a promulgação pelo Congresso — o prazo de 60 dias para adaptação conta a partir dela.
As regras ainda NÃO estão em vigor.
O esqueleto do 5x2
O 5x2 previsto no PL 1.838/2026 é simples na superfície: 5 dias de trabalho, 2 folgas, semana de 40 horas — na prática, 8 horas por dia. A decisão-chave não está nas horas: está nas folgas. Folga fixa (sábado + domingo, sempre) é o 5x2 do escritório — raro no transporte, porque ônibus roda sete dias. Folga rotativa é o padrão do urbano: as duas folgas giram semana a semana, cobrindo a operação todo dia e garantindo domingos periódicos conforme a CCT. Os modelos abaixo cobrem os dois casos.
Modelo 1 — jornada contínua
O desenho mais simples: turno único, folga fixa no fim de semana.
Sáb + Dom folga fixa
conta da semana 5 × 8h = 40h
Serve para administrativo, manutenção e fretamento de turno único. O que ele não faz: cobrir os picos da operação. O passageiro embarca às 6h e às 18h — um turno das 8h às 17h chega depois do primeiro pico e vai embora antes do segundo. Para a linha, o modelo realista é o próximo.
Modelo 2 — dupla pegada urbana (o realista)
A dupla pegada continuaria permitida no 5x2: o que mudaria é a semana, não o desenho do dia. O modelo abaixo casa os dois picos com duas pegas de 4 horas:
intervalo 09:30–15:30 (6h não remuneradas, conforme acordo)
pega 2 15:30–19:30 (4h, pico da tarde)
dia 4h + 4h = 8h · semana 5 × 8h = 40h
rodízio de folgas (ciclo de 3 semanas)
semana 1 folga dom + seg → trabalha ter–sáb
semana 2 folga sex + sáb → trabalha dom–qui
semana 3 folga qua + qui → trabalha sex, sáb, dom, seg, ter
Confira a aritmética: cada pega tem 4 horas — abaixo do teto de 5h —, o dia fecha em 8h e a semana em 40h, sempre com 5 dias trabalhados. O rodízio garante um domingo de folga a cada três semanas — mas exige conferir a interjornada em cada virada de folga.
Modelo 3 — rodízio de cobertura de fim de semana
Como 3 motoristas cobrem 7 dias trabalhando 5 cada um? Com folgas defasadas — e uma conta antes do desenho: 3 × 5 = 15 motorista-dias por semana; uma linha com 2 motoristas por dia consome 2 × 7 = 14. Sobra exatamente 1 — por isso um dia do trio tem cobertura tripla (aqui, a segunda, o pico). A sobra é estrutural; o bom desenho a coloca onde ajuda.
motorista A ● ● ● ● ● F F
motorista B ● F F ● ● ● ●
motorista C ● ● ● F F ● ●
cobertura 3 2 2 2 2 2 2
cada linha exatamente 5 dias de trabalho + 2 folgas
cada dia no mínimo 2 motoristas (seg com reforço de 3)
Os papéis giram: na semana seguinte, A assume o padrão de B, B o de C e C o de A — em três semanas, todo mundo folgou um fim de semana. O princípio escala para 200 motoristas: muda o tamanho das turmas, não a defasagem.
O que todo modelo 5x2 precisa respeitar
O PL em tramitação mexeria na duração da semana — não nas regras de jornada. Qualquer modelo acima só fica de pé se respeitar o que o art. 235-C da CLT já exige hoje: pega de no máximo 5 horas, intervalo mínimo entre as pegas, interjornada de 11 horas contínuas — que quebra justamente nas viradas de folga, quando o larga da véspera foi tarde e o pega do retorno é cedo; confira cada virada na tabela prática da interjornada — e o DSR. E um aviso que vale mais que qualquer planilha: um modelo copiado da internet não conhece a sua tabela de viagens — nem o primeiro carro, nem os deslocamentos, nem o pico. Modelo é esqueleto, não escala; é ao vesti-lo com as viagens reais que nascem as violações.
Do modelo à escala real
A distância entre um modelo de 3 motoristas e uma grade real de 200+ escalas — cobrindo todas as viagens, fechando as 40h de cada motorista, sem violar pega, intervalo, interjornada nem DSR em nenhuma virada — não se percorre na planilha. É um problema de otimização com milhares de combinações, e é exatamente o que o Raio-X da Escala resolve: o diagnóstico mede a grade atual contra todas as regras e devolve o custo em reais; o otimizador monta a grade que cobre a mesma tabela sem violar nada. O diagnóstico é gratuito — leve o modelo daqui, mas valide a grade de verdade antes de publicar.
Perguntas frequentes
O 5x2 já é obrigatório?
Não. A PEC do fim da 6x1 passou na Câmara e o PL 1.838/2026 ainda tramita no Senado — as regras só valeriam após a aprovação final e a promulgação. Por ora, adotar o 5x2 é decisão da empresa ou da negociação coletiva. O contexto completo está em o fim da escala 6x1 no transporte coletivo.
Posso usar folga fixa no transporte urbano?
Pode, mas quase nunca fecha a conta: o ônibus roda sete dias, e se todo mundo folga sábado e domingo não sobra ninguém para o fim de semana. Folga fixa serve para administrativo e manutenção (Modelo 1); na operação, o padrão é a rotativa (Modelos 2 e 3), com domingos periódicos conforme a CCT.
O modelo 5x2 muda a dupla pegada?
Não, pelo texto em tramitação. O PL muda a duração da semana, não o art. 235-C: pega de até 5h, intervalo entre pegas, dupla pegada e interjornada de 11h continuariam exatamente como hoje — e a dupla pegada segue sendo o desenho natural do urbano, como no Modelo 2.
Quantos motoristas a mais o 5x2 exige?
A ordem de grandeza é a queda de 44h para 40h: cerca de 9% das horas-motorista — numa operação ilustrativa de 150 motoristas, cerca de 15 a mais. A conta exata e a ordem certa da transição estão no passo a passo de adaptação do 6x1 para o 5x2.